domingo, 1 de março de 2009

Sexualidade e a vida moderna

Olá meninas!! Depois de algum tempo sem escrever, estamos retomando nossas atividades para 2009. E nada como recomeçar falando de um tema de muita importância para nós: a sexualidade. Claro que este assunto é extremamente complexo e cheio de vertentes, e hoje quero conversar um pouquinho sobre as queixas sexuais mais frequentes em consultório. Um dado importante: as mulheres estão referindo com mais frequencia suas queixas e dúvidas aos médicos, e isso é ótimo!! Quando cria-se este diálogo e confiança na relação médico-paciente, um importante passo é dado no sentido de ajudar a mulher em suas dificuldades na relação a dois.

Para começar, vamos falar da dispareunia - dor na relação sexual. Ela pode ser caracterizada como de penetração, quando a dor é para iniciar a penetração vaginal, ou de profundidade, quando ocorre no fundo da vagina ou no baixo ventre, já durante a penetração. A primeira, ou seja, a de penetração, geralmente é causada por falta de uma adequada lubrificação vaginal (ou por falta de estímulo adequado, ou por problemas hormonais, como nas mulheres na menopausa, ou por uso de anticoncepcionais hormonais) ou por processos irritativos na vulva e na vagina(vulvites alérgicas, candidíase). Essa queixa é diferente do vaginismo, que é a incapacidade de penetração vaginal ou penetração extremamente dolorosa por contratura involuntária da musculatura perineal. A causa do vaginismo sempre é psicossomática, ou seja, tem fundo emocional e por isso a abordagem deve ser feita por profissional especializado (sexólogo).

Outra queixa muito frequente é a falta de libido, ou , mais corretamente, o desejo sexual hipoativo. A falta de libido pode ter inúmeros fatores relacionados, desde orgânicos até problemas conjugais e emocionais. Deve-se pesquisar alterações hormonais - existe, por exemplo, uma queda natural da libido nas mulheres na menopausa por redução na produção do estrogênio e da testosterona - além de distúrbios da prolactina e da tireóide; quadros depressivos também podem influenciar o desejo sexual. Na maioria das vezes o desejo sexual hipoativo está relacionado ao contexto de vida da mulher: o tipo e tempo de relacionamento com o parceiro, o estresse crônico, a baixa energia, a rotina do casal, problemas na auto-imagem e auto-estima... Imagine que a mulher vincula mais facilmente sexo ao amor, ao carinho, ou seja, à relação a dois; o homem consegue ter esta visão mais desvinculada; por isso, quando há mágoas e rupturas na relação, nada mais natural que uma redução no interesse sexual ocorra. Isso sem falar na correria que a gente vive: é trabalho, casa, marido, filhos, atividades extras.... quando vamos pensar em sexo já estamos exaustas e nosso corpo só pensa em descansar.

Outro ponto a se considerar é a rotina de um casal; com o passar do tempo a relação tende a se acomodar em todos os aspectos, inclusive na rotina sexual.

Por isso meninas, ai vão algumas dicas: não espere do seu parceiro mudança no comportamento sexual; comece por você mesma! Use sua criatividade e saia da rotina - aqui vale ousar no vestuário, preparar um jantar especial com velas aromatizantes afrodisíacas, buscar um local diferente, enfim, vale deixar o imaginário trabalhar! É importante adequar o horário das relações sexuais a um período do dia em que o cansaço não atrapalhe; deixar para ter relações após um dia inteiro de trabalho pode não funcionar; porque não na hora do almoço? ou ao acordar??

Se você está magoada com seu parceiro, nada como uma boa conversa para colocar os pontos nos is. Isso pode ser gratificante e melhorar não somente a vida sexual, mas toda a convivência do casal.

Por fim, capriche no visual: invista na sua beleza e bem-estar. E lembre-se: você pode ser atraente e sensual com qualquer peso e em qualquer idade, se VOCÊ (e mais ningúem) estiver se sentindo bem.

Quanto à medicações, é importante relatar que para algumas mulheres os anticoncepcionais podem reduzir a libido. Como isso depende de cada organismo, a resposta individual deve ser observada; entre as pílulas, ainda não há estudos definitivos monstrando que um tipo é superior à outro. Lembre-se que antidepressivos podem reduzir a libido (fluoxetina principalmente). A terapia hormonal na menopausa geralmente melhora a funçaõ sexual neste grupo de mulheres.

Não há ainda nenhum remédio milagroso, algo como o "Viagra feminino" para melhorar a libido de forma segura e consistente. Várias pesquisas estão sendo feitas neste sentido, mas como a função sexual é de uma complexidade sem limites, imagina-se a dificuldade em descobrir-se drogas para tal distúrbio.

O melhor remédio, sem dúvida, é cultivar corpo e mente sã, e uma relação a dois prazerosa, pautada por respeito e consideração. Por isso, meninas, amem profundamente e descubram como uma vida sexual a dois pode oferecer muita alegria e prazer na vida.