segunda-feira, 10 de maio de 2010

Tratamento dos Miomas Uterinos



Miomas uterinos são doenças extremamente comuns, podendo afetar até 30% das mulheres. São tumores benignos que surgem da camada muscular do útero, denominada miométrio. Podem ser completamente assintomáticos ou podem causar aumento do fluxo menstrual, cólicas menstruais, dor pélvica e infertilidade. O médico pode suspeitar desta doença pela história clínica e pelo exame físico, onde o útero pode estar aumentado de tamanho e com a superfície irregular. A ultrassonografia é o exame de escolha para determinar o número e a localização dos miomas, além do volume uterino total, fatores estes determinantes para se decidir a melhor forma de tratamento. Além disso, a histeroscopia diagnóstica (colocação de uma ótica dentro da cavidade uterina) e a ressonância nuclear magnética ajudam na definição da localização exata dos miomas.
Os miomas podem ter 3 localizações: subseroso - mioma que abaula externamente a parede do útero; intramural - aquele presente no meio da musculatura uterina e submucoso - aquele que abaula internamente a cavidade uterina.
Os miomas assintomáticos na maioria das vezes não necessitam de qualquer tratamento e são somente acompanhados clinicamente. Os miomas sintomáticos podem ser tratados de forma medicamentosa ou cirúrgica.
Um dos fatores determinantes na escolha do tratamento é o desejo reprodutivo da mulher. Para aquelas que ainda desejam gestar o tratamento conservador deve ser, na medida do possível, o escolhido. A primeira opção sempre é o tratamento clínico, onde medicações são utilizadas para reduzir o fluxo menstrual e as cólicas. A primeira opção pode ser o uso de anti-inflamatórios e anti-hemorrágicos e, em muitas situações, o uso de medicações hormonais como anti-concepcionais e progestágenos na segunda fase do ciclo. Vale lembrar que a presença de miomas NÃO contra-indica o uso de anticoncepcionais, pelo contrário, eles podem ser importantes aliados no controle do fluxo menstrual. Outra opção cada vez mais aceita é o uso de anticoncepcionais de forma contínua, suspendendo a menstruação, o que pode levar a grande alívio sintomático em determinadas mulheres. Os anticoncepcionais também podem ser administrados na forma de injeções, implantes e adesivos e, mais atualmente, o DIU medicado com levonorgestrel (Mirena) tem-se tornado uma excelente opção em mulheres cujos miomas não abaulam a cavidade, o que contra-indicaria a colocação do DIU pelo fato do mioma ocupar a cavidade endometrial e impedir o correto posicionamento do mesmo.
Aquelas pacientes que não respondem a tratamento clínico são submetidas a tratamento cirúrgico, que pode ser conservador (preservando o útero) ou radical (retirada completa do útero - histerectomia). Para decidir qual melhor opção, leva-se em conta, além do desejo reprodutivo, o número, localização dos miomas, riscos cirúrgicos, possibilidade de recidiva dos miomas, condições técnicas, etc.
A miomectomia (retirada somente dos miomas) pode ser realizada por incisão abdominal convencional, como uma cesareana ou por procedimentos minimamente invasivos, como a laparoscopia e a histeroscopia. No caso dos miomas submucosos, os mesmos podem ser retirados com relativa facilidade por histeroscopia, procedimento onde se insere uma ótica dentro da cavidade uterina pela vagina, juntamente com uma alça de bisturi elétrico que permite retirar o mioma por fatiamento. Os miomas subserosos e intramurais podem ser retirados por via aberta ou laparoscopia, procedimento no qual uma ótica é inserida na cavidade abdominal por meio de um "furinho" no umbigo e mais duas ou três punções são realizadas na parte inferiro do abdome para colocar as pinças, por onde a retirada do mioma é realizada.
A histerectomia também pode ser realizada por corte convencional, por laparoscopia ou via vaginal. Tudo depende do tamanho do útero e das condições gerais da paciente.
Uma medicação chamada Acetato de Gosserelina (Zoladex) pode ser utilizada como preparo pré-cirúrgico pois tem uma potente ação em reduzir o tamanho dos miomas e o volume uterino total, permitindo que miomas antes muito grandes, uma vez reduzidos de tamanho, possam ser retirados por procedimento cirúrgico menos invasivo. Além disso, a medicação leva a suspensão da menstruação, permitindo que quadros de anemia secundários a sangramentos excessivos possam ser resolvidos antes do procedimento cirúrgico. Geralmente são utilizados por 3 a 6 meses mas não podem ser utilizados por mais tempo devido ao risco de redução da massa óssea com possibilidade de osteoporose; por isso são utilizados como preparo pré-operatório.
Mais recentemento novas terapias têm surgido como opções alternativas ao tratamento convencional dos miomas. Trata-se da embolização de miomas, técnica onde microêmbolos são introduzidos na circulação que nutre o mioma, obstruindo o fluxo sanguíneo, levando à sua necrose. Além disso, temos já disponível no Brasil o ExAblate, técnica que combina ultrassonografia de alta intensidade com a ressonância magnética. Feixes de ultrassom são emitidos guiados por ressonância, o que aquece o mioma levando à sua destruição.
Hoje muitas mulheres com miomas quen não podiam engravidar ou que tinham dores e sangramentos intensos podem ter esperança de tratamento sem que o seu útero seja retirado. Cada caso deve ser individualizado com cuidado por médico especialista no manejo desta doença, visando o bem-estar e a manutenção da capacidade reprodutiva da mulher. Se você é portadora de miomas uterinos, procure um médico especialista no assunto. Um grande abraço!