Então vamos lá: existem vários tipos de cistos ovarianos, mas podemos dividí-los basicamente em 3 categorias: cistos funcionais, cistos benignos e cistos malignos.
Cistos Funcionais: A maioria dos cistos nas mulheres na fase de vida reprodutiva são funcionais. Não ocorre em meninas que ainda não menstruaram nem em mulheres já na pós-menopausa. Como se forma: durante o processo normal de desenvolvimento do folículo que contém o óvulo que vai ovular em um determinado ciclo menstrual, eventualmente um folículo não se rompe e fica com líquido retido no seu interior, formando o que chamamos de cisto folicular. Ao ultrassom, o aspecto é de um cisto único, de cápsula fina, conteúdo totalmente líquido ( ao ultrassom chamamos isso de conteúdo anecóico) e de tamanho geralmente menor que 6 cm. Além disso, podemos ter a formação de um cisto pós-ovulação, que, ao se romper, acumulou sangue em seu interior, chamado de cisto de corpo lúteo. Nestes casos, o aspecto ao ultrassom é diferente pois o sangue dá um aspecto de cisto complexo, com conteúdo líquido e sanguíneo, vascularização exuberante e tamanhos variados.
Os cistos funcionais não são doença, mas eventualmente podem causar sintomas, como dor abdominal, inclusive a dor pode ser intensa a ponto de confundir com um quadro mais sério, como uma apendicite. Feito o diagnóstico correto, na maioria absoluta dos casos não é necessário fazer absolutamente NADA, pois os cistos funcionais são absorvidos em 1 ou 2 ciclos menstruais (até 8 semanas). Casos sejam sintomáticos, pode ser necessária adequada analgesia e repouso. Alguns médicos preconizam o uso de anticoncepcionais na presença de cistos funcionais, mas vários estudos já demonstraram que as pílulas não tem qualquer efeito em induzir a absorção do cisto; o seu uso pode ser justificado para impedir que haja uma nova ovulação e consequentemente, a formação de um novo cisto funcional. Portanto, quando o diagnóstico for de cisto funcional, o que devemos fazer é repetir o US em 8 semanas e, se sintomáticos, avaliar a conduta dependendo do grau dos sintomas, exigindo na maioria das vezes anti-inflamatórios ou analgésicos comuns por alguns dias.
Se após 8 semanas, ao repetir o US, o cisto esteja ainda presente, ou seja, se ele não foi absorvido, estamos diante de um cisto persistente. Nesta situação, dificilmente este cisto será funcional, e devemos pensar na possibilidade de estarmos diante de um cisto benigno ou maligno.
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| cisto folicular |
Cistos benignos: várias tipos de doenças se manifestam como cistos de aspecto benigno ao US: cistos de origem epitelial ( cistoadenomas serosos e mucinosos), hidrossalpinges ( acúmulo de líquido nas trompas - na verdade estes cistos nem são de origem ovariana, mas no US pode ser confundido com um deles), cistos para-ovarianos ou para-tubários ( acúmulos de liquidos ao lado de trompas e ovários), endometriomas ovarianos ( focos de endometriose em ovários) e teratomas ( tumores benignos que reproduzem tecidos de origem epitelial, como gordura, pêlos, dentes, cartilagens, etc...).
Existem várias características ao US que indicam que os cistos são de grande probabilidade de benignidade ou não. Estas características são: geralmente são uniloculares, menores que 8 cm, sem septos ou com septações finas, sem vegetações ou áreas sólidas, unilaterais, com fluxo sanguíneo observado ao Dopller ausente ou de alta resistência.
Além das características ultrassonográficas, existem alguns marcadores tumorais que podem ser dosados no sangue que ajudam no diagnóstico de benignidade ou não dos cistos ovarianos. O mais utilizado é o Ca 125, que encontra-se aumentado nos tumores ovarianos do tipo epiteliais ( cistoadenocarcinomas do tipo serosos), mas também eleva-se em doenças benignas como endometriose e miomas, e até mesmo em algumas mulheres normais. O CEA eleva-se nos tumores do tipo mucinosos e o alfa feto proteína em tumores de origem embrionária. Quando o médico encontra elevação dos marcadores tumorais, existe uma preocupação maior pois aumenta a probabilidade de tumores malignos, exceto nos casos de endometriose, onde o quadro clínico típico e o aspecto ultrassonográfico de endometrioma justificam a elevação do Ca 125.
A conduta nestes casos é indicar tratamento cirúrgico, sendo que a videolaparoscopia traz vantagens ao permitir uma cirurgia menos invasiva. A decisão de se retirar só o cisto ou todo o ovário vai depender da idade da paciente, desejo reprodutivo, características do cisto e fatores inerentes ao próprio procedimento cirúrgico. As características do cisto são avaliadas no intra-operatório e, caso haja suspeita de malignidade, o cisto pode ser examinado por um patologista durante o ato cirúrgico ( exame de congelação). Caso seja maligno, a cirurgia é convertida para laparotomia ( cirurgia aberta) e o tratamento cirúrgico completo é realizado. Somente o exame definitivo histopatológico pode determinar a real natureza do cisto.
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| Endometrioma ao US |
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| Teratoma no Ovário Esquerdo - compare com o ovário direito ( laparoscopia) |
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| Abertura do ovário e retirada da cápsula do cisto ( laparoscopia) |
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| Câncer de Ovário ao US |
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| Câncer de Ovário após ser retirado - peça cirúrgica |





